
O legado de NARCISO FERREIRA

QUEM SOU
Sempre me fascinou a capacidade humana de produzir obras que atestassem a sua presença e prolongassem a sua memoria no tempo; a capacidade da acção humana dominar a paisagem.
Uma forma do ser humano conseguir a imortalidade.
Essa capacidade de sonhar e ousar fazer, tão inata ao ser humano, que como diz o poeta: “sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança”, resulta no desenvolvimento das sociedades.
Há, no entanto, indivíduos que se destacam neste ímpeto criador, como é o caso de Narciso Ferreira, industrial, da indústria algodoeira do Vale do Ave, do início da primeira metade do século XX, que se notabilizou, não apenas pelo sucesso das suas indústrias, mas porque ousou idealizar e construir uma vila - Riba D`Ave - deixando equipamentos sociais que ainda hoje servem a comunidade e continuam a ser o rosto da vila.
Eu sou a Vera Machado, venha comigo conhecer o legado de Narciso Ferreira.
Narciso Ferreira nasce em 1862, no seio de uma família humilde.
Desde cedo revela espírito empreendedor – espírito que o tornará um dos mais importantes e influentes industriais do país. O império por si criado é revelador do seu carácter forte e determinado, e da sua visão moderna.
Com 19 anos de idade lança os alicerces do seu império industrial.
Com apenas dois teares manuais, inicia uma unidade de tecelagem de algodão, em Pedome – sua freguesia Natal – que a breve trecho irá transferir para uns terrenos baldios que adquire, na freguesia de Riba D`Ave, junto a um açude.
Esta iniciativa irá alterar indelevelmente a paisagem, e a própria organização do território no que concerne ao espaço físico, económico e social. O espaço industrial (que deu característica ao Vale do Ave) ia alterando a paisagem rural.
Em 1894 contava já com 18 teares na firma que denominou “Sampaio, Ferreira & C.ª Lda.”.
Funda, também, no mesmo quarteirão, uma indústria de fiacção e tecidos – a “Oliveira, Ferreira & C.ª Lda”.
Conforme ia aumentando a sua fortuna, ia investindo em mecanização e inovação tecnológica nas suas indústrias e ia, também, alargando as áreas de negócio, fundando, em 1905, na freguesia de Bairro a “Empresa Têxtil Eléctrica” e, ainda, a “Companhia Hidroeléctrica de Varosa” (Lamego) – representando o primeiro grande empreendimento de aproveitamento hidroeléctrico do país, fornecendo energia eléctrica a todo o Norte de Portugal.
Conjuntamente à sua iniciativa empresarial, desenvolveu importante acção social e benemerência.
Constrói bairros operários, mercado, quartel dos Bombeiros Voluntários, Posto de Correios, Teatro, Escolas Primárias, Hospital, Quartel da GNR - criando o rosto do que, ainda hoje, é a vila da Riba D´Ave.
Os seus descendentes irão criar a Fundação Narciso Ferreira.












